‘Ler o Brasil hoje’ é o tema do V SEDISC

Abertura emocionante destaca os 10 anos de existência do Seminário Discurso, Cultura e Mídia, que, em 2020, tem como temática norteadora “Ler o Brasil Hoje”
A abertura do V SEDISC, nesta quinta-feira, 08/10, contou com a audiência de mais de 150 participantes.


Fonte: Unisul Hoje Por: Bianca Queda e Debbie Noble

O evento deste ano ocorre em um ambiente on-line e irá acontecer entre os dias 08/10 e 26/11, sempre às terças e quintas-feiras, às 17h.

O início dos trabalhos foi conduzido pela Profa. Dra. Nádia Neckel (PPGCL Unisul). Com uma fala pungente, a professora agradeceu a todos que possibilitaram a realização do Seminário neste formato remoto e destacou a potência de nossas redes vivas, a força de produção do povo e a cidadania que compartilha técnicas, práticas e saberes. A abertura trouxe produções audiovisuais que abordaram temáticas como: afeto, união e resistência. Na voz da prof. Dra. Solange Gallo, o SEDISC foi descrito como “um evento organizados por mulheres, seu DNA, uma maternidade”, destacando ainda a irmandade entre as instituições parceiras de organização: a UFRGS e a Unicamp.

A cerimônia de abertura contou ainda com as participações do Coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem da Unisul, Prof. Dr. Fábio Rauen, e do Reitor da Universidade, Prof. Mauri Heerdt, que ressaltaram a grandeza do evento e a importância deste em tempos de pandemia.

Segundo o reitor Mauri “estamos em um mundo grávido de outro mundo, como descrito por Eduardo Galeano”, a fala diz respeito à esperança necessária em meio aos caos gerado pelo COVID-19. Estaríamos gerando um novo lugar, melhor do que temos hoje.

Além disso, as coordenadoras de cada eixo temático apresentaram os simpósios e mesas-redondas, descrevendo um pouco do que será apresentando neles. Suzy Lagazzi (Unicamp) falou sobre o Eixo I, que trata da intersecção de discurso, interpretação e materialidade.

Mónica Zoppi-Fontana (Unicamp) divulgou o eixo II, Discurso, Cultura, Política; o Eixo III, Discurso, Escola, Leituras, foi representado pela Profa. Claudia Pfeiffer (Unicamp); em seguida, Nádia Neckel falou sobre o Eixo IV, que tratará de Corpo e Equívoco. Finalizando a rodada, as professoras Dra. Solange Mittmann (UFRGS) e Dra. Giovanna Flores (Unisul) apresentaram, respectivamente, os eixos V – Discurso, Arquivo, Tecnologia e VI -Discurso, Mídia, Memória.

Após a divulgação dos eixos temáticos, Solange Gallo apresentou o funcionamento da sessão de pôster, destacando a relevância desta sessão ao longo de todas as edições do evento. Segundo Gallo, “é possível conhecer as novas proposições de pesquisa que estão sendo desenvolvidas em Análise do Discurso no País”. Nesta edição, a modalidade conta com podcasts, vídeos e banners produzidos pelos participantes, que poderão ser acessados a partir da próxima terça (13) no site do evento.

Em seguida, a fala da Profa. Dra. Juliana da Silveira (PNPD-Unisul) tratou da sessão de lançamento de obras, que ocorrerá no dia 24 de novembro, sendo lançados dossiês temáticos, livros e produções artísticas. Juliana ressaltou a possibilidade dos participantes ainda se inscreverem para lançar suas obras.

Por fim, a Profa. Dra. Andreia Daltoé apresentou a mesa de encerramento do evento, que contará com as presenças eminentes das professoras Dra. Freda Indursky, cuja fala entitula-se “Janelas do confinamento” e Dra. Maria Cristina Leandro Ferreira, com a comunicação “Querelas do Brasil”.

A cerimônia durou cerca de 70 minutos e levantou questões cruciais que convocam os participantes a pensar o Brasil, a ciência e a Análise do Discurso hoje.

Em tempo de pandemia, o V SEDISC inicia hoje realizado virtualmente com ‘salas cheias’

Devido à pandemia, os eventos acadêmicos tiveram de recorrer às atividades remotas para que fosse possível permanecer com o planejamento para o período. O V Seminário Discurso, Cultura e Mídia (SEDISC) começa hoje (8) e vai até 26 de novembro com atividades realizadas ao vivo pela internet, no site do evento.

Fonte: Agência Focaia – Por: Thaynara Fernandes

Os Programas de Pós-Graduações (PPGs) em Ciências da Linguagem da Unisul (Palhoça-SC), em Linguística do IEL/UNICAMP (Campinas-SP)e em Letras da UFRGS (Porto Alegre-RS)são os responsáveis pela organização da primeira edição virtual do evento.

O objetivo dos organizadores é “congregar grupos de pesquisa em Análise do Discurso (AD), integrando suas propostas em redes e oferecendo espaço para a discussão de pesquisas, concluídas ou em andamento”, segundo informações publicadas do site.

O V SEDISC é destinado a toda categoria acadêmica, dividido em seis eixos temáticos e cada um deles tem a sua programação. Conforme a programação, no segundo eixo, o Simpósio II será coordenado pela professora da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia, (UFMT/CUA) Águeda Aparecida da Cruz Borges, em parceria com o professor Rogério Modesto, da UESC/Ilheus (BA): Discurso, Cultura, Política.

Em debate a relação entre discurso, cultura e política, com discussões sobre a luta social, a linguagem, a arte e o ativismo.

Águeda Borges participa do evento pela primeira vez e segundo ela, “o sucesso de empreitadas, como o V SEDISC, está diretamente ligado à credibilidade atribuída aos propositores, obviamente considerando-se a temática e os fundamentos epistemológicos. O SEDISC agrega tudo isso, assim as expectativas já vêm se afirmando positivas, pela quantidade significativa de inscritos”, afirma.

Inscrições

As inscrições para o V SEDISC estão encerradas. Para mais informações, acesse o site do evento.

V SEDISC apresenta o primeiro simpósio do eixo temático I: Discurso, Interpretação e Materialidade

No dia do professor, seis pesquisadores abriram as apresentações do Seminário Discurso, Cultura e Mídia (SEDISC).

Texto: Bianca Queda (PPGCL-UNISUL) 
Revisão: Paulo Henrique Santhias (PPGCL-UNISUL)

Nesta quinta-feira (15), dia do professor, ocorreu o primeiro simpósio do V Seminário Discurso, Cultura e Mídia (SEDISC). O eixo temático I: Discurso, Interpretação e Materialidade; contou com a apresentação de seis trabalhos, de temas: a mão mutilada de Lula, carnaval, espaço urbano, clínica psiquiátrica e acarajé. A coordenação ficou por conta de Guilherme Adorno e Renata Lara.

No primeiro trabalho apresentado, “A mão mutilada de Lula: do sintoma do discurso anticorrupção ao fetiche do discurso antiesquerdista”, o autor, Luís Fernando Bulhões Figueira, trouxe imagens do ex-presidente Lula para a análise. Nelas foram observadas como são dados os sentidos em diferentes situações para a mão mutilada do ex-presidente, sob o aspecto de reforço de sentidos de uma esquerda corrupta.

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Na sequência, Rodrigo Pereira da Silva Rosa apresentou sua pesquisa “Carnaval,
leituras e sentidos: a representação do Brasil nos desfiles das escolas de samba em 2016 e 2019”, com uma análise do carnaval sobre a perspectiva discursiva.
O trabalho apresenta os efeitos de sentidos de dois desfiles: “O Brasil de la Mancha”, da Mocidade Independente de Padre Miguel, em 2016; e “História para ninar gente grande”, da Estação Primeira de Mangueira, em 2019. Rodrigo investigou as diferenças na memória alegórica e na memória oficial, mostrando como o carnaval materializa o político e tece a memória do País.
A terceira apresentação foi do pesquisador José Mágno de Sousa Vieira, que trouxe para a discussão o seu objeto de investigação de tese: a imagem da cidade de Teresina- PI a partir de cartões postais, no trabalho intitulado “Cidade entre-rios, cidade entre-pontes: dos deslocamentos imagéticos de/sobre Teresina no acontecimento imagem de cidade”. José analisou duas construções do espaço urbano de Teresina: a ponte metálica, sob o Rio Parnaíba, e a ponte estaiada, sob o Rio Poti, pensando como ambas materializam a cidade de Teresina.
Mirielly Ferraça também apresentou sua pesquisa com o olhar voltado para o espaço
urbano, com o trabalho “Os dêiticos na relação com o espaço urbano: fronteiras, discurso e memória”, que evidencia a imposição do estado sobre esses espaços, determinando aquilo que pertence ou não à cidade. Os dêiticos não seriam apenas elementos linguísticos referenciais, mas indicam e delimitam essas fronteiras, de modo a convocar sentidos pelo encontro da língua com a história.
O trabalho “Posfácio às imagens do inconsciente. Nise da Silveira e os mil modos de
lutar pela sua época”, apresentado por Santiago Bretanha, expôs duas películas: Imagens do Consciente e Posfácio. Bretanha analisou a construção imaginária da prática clínica (des)locada na película Posfácio, pela metalinguagem, mobilizando a noção de lapso, “uma fratura que rompe na linearidade do dizer”, afirma o pesquisador.

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Por fim, Carla Maicá Silva apresentou o trabalho realizado em coautoria com Roberta Rosa sobre a memória discursiva do racismo no Brasil, em “Tenho nojo de acarajé: quando o racismo é travestido de gosto”. A produção trouxe enunciados que produzem sentidos da comida baiana como suja. O acarajé é apresentando em sua materialidade significante, evidenciando como o racismo é dito e perpetuado em tantas formas no Brasil, travestido de gosto.

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Finalizada a apresentação dos trabalhos, os coordenadores Guilherme Adorno e Renata Lara abriram espaço para que os pesquisadores pudessem retomar as principais ideias apresentadas e responder às perguntas formuladas pelos seminaristas do V SEDISC.